terça-feira, 14 de outubro de 2014

Microf(r)icções





Quando em fim, comecei a ler com olhos e mente voltados para a experiência imaginária de ler os microcontos que tesem as paginas de “Microf(r)icçôes”, de Janaison Macedo Luiz, percebi o grande ponto chave da micronarrativa: a concisão, em poucos caracteres, que a criatividade do escritor para concatenar enredo, trama, histórias, narratividade; o subtexto, ou intertexto, os ápices de uma situação do cotidiano, um retrato (ou autorretrato). Sim com quantidade mínima de caracteres pode prender o leitor atento e sensível em uma gama considerável de tempo, construindo os elementos percebidos por ele próprio. Não só como crítico, mas também com produtor de textos ficcionais, tomei gosto pelas micronarrativas:

    “Encontro

 Fui de encontro ao muro. E ao encontro da morte.”

O foco narrativo sempre adequando-se ao estilo dos personagens. Começo e desfecho para cada história. A Flash Fictions, com toda carga do finais trágicos nos quais costumam prender os leitores, a deixa-los imaginando quem era o personagem, em que este estava envolvido, e ate mesmo, porque não, aos olhos dos leitores críticos, possíveis finais a serem discutidos cognitivamente. A pergunta fundamental é: como é possível um texto tão pequeno causar tanto impacto? Em outra instância, como é possível um texto entre 40 e 200 caracteres produzir um efeito no leitor tal qual um conto convencional, muitas vezes custa a eletivar? Aliás, será que este último produz tal efeito? Mais ainda, será possível narrar uma história e se fazer compreender com tão poucos elementos?   Em outra história:

“Inquietação

Via pessoas, via espíritos.
E se inquietava ao pensar no que não conseguiria ver.”

    Caso o leitor reclame da suposta falta de tempo para debruçar-se sobre ficções com teor existencialista, eis que a micronarrativa acima pondera os dramas humanas de uma personagem em constante questionamento sua realidade, ou, para ser mas construtivo, permitamos que o próprio leitor investigue os microcosmos contidos em cada personagem que compõem  “Microf(r)icçôes”

        “Microf(r)icçôes”, de Janaison Macedo, é leitura recomendada para todos aqueles que buscam conhecer autores “Indie”, independentes. Autores que acreditam na exploração de novos conceitos da literatura contemporânea brasileira.                


                                                                      Edson Moura



“Microf(r)icçôes”, de Janaison Macedo Luiz.  Seu livro fará parte do Projeto “Pilar Literário”. Iniciativa que tem o objetivo incentivar eventos artísticos-literário nos Distrito de Pilar, no Sertão Baiano.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário