sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

De corpo presente




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Em "De corpo presente”, de Alberto Lins Caldas, percebemos a formação de versos crônicos, traços metafísicos se misturam com uma forte presença dos elementos concretos do cotidiano, uma poesia sinestésica-social, onde os sentidos se misturam para produzir cenas metafóricas, ingredientes de sua arte poética, carregada de experimentalismo semântico-sintático, cuidadosamente explorando temáticas do fluxo social. Em “De corpo presente” temos escopos se pequenas histórias, cenas de uma realidade expectada, compactados em suas estrofes, pequenas odisseias de influxos quase invisíveis:

“• em breve so os ratos •
• em tudo a breve •
• vida dos ratos •

• nada mais nada menos •
• essa vida vigiada •
• esse sonho a distancia •

• esse queijo sem gordura •
• esse corpo todo diet •
• esse gozo bem dosado •

• em breve so os ratos •
• nada mais que os ratos •”

   Atento aforista, cuidadoso nos compassados dos versos, para, enfim, condiciona-la em arte poética. Notadamente, no que tange o fenômeno literário, sua reação estética, é encontrar o ponto de equilíbrio de seu discurso e os elementos linguísticos que servem para alçar a atenção de um garimpeiro em construções semântico-sintático de textos concisos, carregados de experimentações metalinguísticas rica em acidez:

“• mais circo e mais pão •
• é preciso alimentar o povo •
• ? quem trabalha por nos •

• é preciso divertir o povo •
• sem artistas e palhaços •
• ?quem vai dormir o povo •”

   A labutação os versos a ‘ferros’ e uma ‘elegância nos dessabores’, como podemos metaforizar o trabalho de escritura de Alberto Lins Caldas. Arquiteto de um mundo de imagens acústicas, alguém que desconstrói e reconstrói a própria realidade poética. No entanto, também, o que teoricamente, poderíamos dizer que é uma busca louvável pela precisão e organização lógica do texto, acrescente-se a isso o esforço pelo rigor na observação quase científica do “objeto poético”. É quando o leitor se depara com uma espécie de labirinto taciturno, tautológicos, cujas saídas dão-se no vazio dos sentidos. Por outro lado, a adoção de um tom coloquial nos coloca firmes quanto as intenções do autor, nesse calidoscópio soturno e, ao mesmo tempo, rico em uma linguagem retórica com um forte tom de transcendência da realidade:


 “De corpo presente”, do poeta Alberto Lins Caldas busca por uma gama mais ampla de leitores, pois existe uma riquíssima teia de interpretações, onde podemos nos aprofundar mais e mais em bifurcações de seus sentidos.





      Edson Moura