sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

                            A Luneta  1985 - 1986  (crônica)
                                                                    A meu pai (In memoriam)
        Imagino que grande parte das histórias de ficção-científicas surja do desejo de seus criadores de construir uma realidade onde as aparentes impossibilidades das ciências alcance um fascínio dos leitores e deles próprios. É certo dizer que estas impossibilidades são na verdade um desejo latente por aquilo que estar por vir, de um futuro – seja ele uma parábola artística do irreal, ou uma necessidades de expressar descobertas de um conhecimento possível em uma realidade ainda não existente, mas que toma substancia, por assim dizer, desperta nossa racionalidade para as expectativas, instiga nossa curiosidade, mesmo que estas sejam exageros da uma criatividade artística, é claro nos seus aspectos mais positivos. E este gênero, em constante peregrinação nos espaços infinitos dos nossos pensamentos, visto que a infinidade das coisas ainda é e será a melhor resposta para aquilo que ainda não compreendemos, da literatura para o cinema, e com estes impelindo secretamente em nossos inconscientes, admitamos, já fomos incentivados em algum momento de nossa viva a imitar em nossa realidade os personagens que cultuamos, sempre, acredito, continuaremos secretamente a cultua-los. Fatos da existência, aquele que nos interrogam; um fenômeno não explicável pela lógica, ou até mesmo os explicáveis, são ingredientes mais frutífero para criarmos uma pequena fuga para este futuro que sabemos não ser possível vive-lo, mas que instintos em cultivá-lo. Meu particular apego a este gênero começos a se formar bem antes de minhas práticas de leitura ganhasse maturidade, deveria ter aproximadamente cinco anos de idade. Entretanto dispunha das “películas”, do cinema para ser mais exato, creio ser este o maior facilitador das construções de imagens futuristas. Em meados de 1986 uma apoteótica euforia, advinda da passagem do cometa Halley, conquistava a atenção um considerável números de pessoas nos cinco continentes. Outro relevante da época, apesar de sua equivalência perder peso na balança das atenções, foi o possível e gradual descongelamento da “guerra fria”, que há décadas vinha se equilibrando em um fio de possibilidades de uma apocalíptica “terceira grande guerra”. Sobre a ótica destes dois fatos históricos recaia a delicada e paradoxal somatória do otimismo e o pessimismo. Foi estas duas posturas tomadas por aqueles que desejavam, e que, por certo, ainda desejam, debruçar sobre uma transcrição pendular que norteia estes dois extremos – no centro, é claro, o futuro. Aquilo que o escritor coloca nos painéis da história que está por nascer: um futuro apocalíptico, desesperançado e caótico, ou a as evoluções da das ciências e tecnologias, onde a humanidade usufrui de privilégios que em nosso presente ficamos a desejar, a descobrir que não estamos sozinhos no universo, que uma inteligência mais avançada que a nossa interaja conosco compartilhando de seu conhecimento, queira estes, não nos temam por nossa precária natureza decadente, que adormece em meio a um negligente apego pelo hediondo. Que o aforismático pensamente “humano, demasiado humano” não acrescente uma penitente busca ao pessimismo. Haverá sempre um porvir, sempre uma estima pelo futuro, que por uma lógica ‘demasiada humana’, permuta entre o otimismo ou pessimismo - o realismo, nas nossas próprias ficções-científicas, visto que todos, de alguma forma, devem possuí-las dentro de si, tem pouco espaço, pouca ressonância, e este, a estarmos fincados com os pés no chão e não nas imagens do futuro. Com cinco anos já possuía minhas histórias, que através da Luneta de meu pai via aquela fosca e acinzentada imagem do cometa Halley, era estranho para mim, admito. Era mais fácil entender as películas do cinema me explicavam: que existiria um 2001, 2010, 2025... por uma simples ironia, esquecida, talvez, pelos entusiastas pelo futuro, o Cometa Halley transcorre nossa orbita a cada 76 anos, será, até o fim de nossas vida, com tudo que estamos a imaginar, nossa melhor ficção-científica - supondo que este viva mais que nossa humanidade. Era 1986 e eu via o futuro. Usufruir enquanto tive o oportuno de fazê-lo. De fato, posso não estar vivo para vê-lo novamente. Me sinto minúsculo, estou num cosmo, com há de sentir. Tempo, tempo. Como se compõem os sentidos dos verbos. Tempo, tempo. Era 1986 e tínhamos uma Luneta.

                                                                                    Edson Moura

Um comentário:

  1. Boa noite, poeta de Alpha-Centauri
    Falta de idéia não ter me tornado seguidora da tua nave bem antes...afinal,já te conheço há séculos e séculos, desde um tempo que nem se falava e nem se contava tempo...somos gente meio gente meio ETs no meio desse mundo atrasado por demais da conta, sô! rrsr Tenho a impressão( desde criança) que fui jogada aqui com alguma missão especial...catequisar os seres normais que aqui sobrevivem. Ensiná-los a VIVER SUA ESSÊNCIA, descobrir suas potencialidades...o amor incondicional, a caridade, as tantas outras dimensões que nós sabemos existir mas eles não... santa ignorância desses normais!! Pensam ainda que só existem três....
    Bem, já está tarde..chega de proda por hj, Edson, meu adorável companheiro de jornada, conterrâneo de Alpha...vou pra lá agora. Quer uma carona? Bjs carinhosos de uma ET desgovernada e sucesso sempre a vc...

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