quarta-feira, 18 de junho de 2014

palavras que devoram lágrimas (ou a felicidade cangaceiro)

   



 Quando me deparei com as páginas de “palavras que devoram lágrimas (ou a felicidade cangaceiro)”, de Roberto Menezes, não pude deixa de notar que estava diante de uma narrativa de fluxo continuo. Na lapidação de seus textos o autor concentra um sopro narrativo experimental em um único paragrafo, o a oralidade e pulsação poética se mescla, formando assim um ritmo de leitura peculiar. Em sua estirpe uma estrutura caleidoscópica é o ‘gancho’ imaginário que fixa o expectador ao enredo:

“...sempre pela manhã, sem misericórdia, sou uma assassina covarde. chego de mansinho, está lá, a quantidade ideal de sentimentos que não sei expressar assim, quando você ou qualquer um me diz: ‘na lata, falando, que sentimento é esse?’ não sei, realmente não sei, mas ele está lá, no último andar dos meus sonhos, que não toma vergonha de ir embora.” (p. 7)
       
      Numa visão conjeturada do livro, no primeiro transpassar de suas páginas, é claro, devido a carga de contatos com a conceptismo quase delirante de Joyce e Camus; o a experiência imaginaria sinestésica  de Clarice ou Virginia, deparei-me com o cuidado artesanal em propor um uma obra coesa com as enumerações contínuos sentidos e cenas dos personagens.   A experiência de leitura de “palavras que devoram lágrimas (ou a felicidade cangaceiro” a cada movimento captou o olhar para algo diferente. Tudo o que o olho das personagens olham, mas principalmente aquilo que estes sentem, transformado em seus monólogos interiores, em reflexões, uma narrativa cortada pelas idas e vindas dos sentidos e acepções:
    
     “...eu jazia entre um som e outro, entre duas das suas diversas camadas. abomino o silêncio e é nesse abominar infeliz que vamos morrer, eu e você. depois, se os meus parentes ou os seus quiserem violar esta conduta com algazarra por cima de algazarra, não vou maquiar o meu desejo por isso. espero mesmo que façam.” (p.63)

    “palavras que devoram lágrimas (ou a felicidade cangaceiro”, de Roberto Menezes. Livro recomendado para os que buscam ótima história de tipos (personagens) contemporâneos, amargos e que vivem dramas internos, estes, que nos identificamos quando lemos  sua oscilação de oralidade. Sim, Roberto Menezes é um escritor maduro ao mostrar em seu livro uma carga linguística de literalidade sólida. Surpreendendo o leitor a cada cena do romance, levando-o a completar cada página com maneira ríspida e voraz da construção do enredo.  Romance com forte sintonia  com literatura contemporânea de autores brasileiros.




                                                                                                                 Edson Moura 
             




“palavras que devoram lágrimas (ou a felicidade cangaceiro”, romance de Roberto Menezes. Seu livro fará parte do Projeto “Pilar Literário”. Iniciativa que tem o objetivo incentivar eventos artísticos-literário nos Distrito de Pilar, no Sertão Baiano.  



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