segunda-feira, 23 de julho de 2012

Concerto de Egberto Gismonti no Recife (II parte)


 “A frase, que eu pedi que meu axiliar escrevesse, estava lá, no quadro- negro do vestuário:”
                                                                                                    Sérgio Sant’Anna    

Posso considerar que em setembro de 2010 tive uma das mais extraordinárias (pesando neste texto uma carga de léxicos extravagantes) experiências incompletas da minha exagerada vida de estragos com minha própria humanidade. Mas sejamos “exagerados” como disse certa vez um poeta desconcertado da geração 80, que tinha tudo, mas preferiu não ter nada ale da sua poesia “exagerada”. Se seguir rumos adversos, voltemos para as portas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, onde ao mesmo tento que ouvia o Egberto regendo seus dedos nas teclas do piano, escutava também duas pessoas ao meu lado que ainda não conhecia e nem tão pouco haviam tido contato com a música do compositor. Conversavam em voz alta, de amplitude quase extravagante, a misturar-se com as melodias da música que não parava, pois o concerto não podia parar. É certo e inevitável que uma súbita irritabilidade venha, do nada, e para o nada deve voltar. Pois não teria sentido ne frente aquelas portas uma disputa retórica sobre os benefícios do silêncios. E que se faça uma pergunta: “...estão gostando da a apresentação do Egberto?”. “Sim, muito!”, responderam eles e logo após veio seu silêncio e em seguida o intervalo entre as músicas. Dialogamos um pouco e os conversadores acabaram admitindo que não conheciam os trabalhos do compositor. Descobri ali, naquele instante dois usos do conhecimento: aquele que nos torna próximo das pessoas e aquele que nos afasta. Sim caro leitor, pode acreditar, mas afastamos por conhecermos, ou por acharmos que conhecemos algo. Se eu conhecia a obra do Egberto, porque não compartilhar com os colegas faladores, e se estavam dispostos a ouvirem meu delírios musicais, então não seria simples colegas, e sim amigos em potencia, como costumo dizer. E foi isso que aconteceu, em uma reciprocidade, aprendemos a serem amigos, não havia conhecedor ou desconhecidos, só as notas alegres como existem nas belas amizades, as notas tristes como existem nas belas amizades, enfim, existia notas, existia conhecimento, existia amigos. Talvez, com toda a incerteza do “talvez”, se o conhecimento da obra do Egberto fosse uma ‘retorica eu conheço, você não conhece”, seguida de mais silêncio, hoje, a imagem dos bem aventurados amigos não seria nada mais, nada mesmo do que um arrependimento. Fim do segundo ato, os Homens Pretos iram descansar.        

                                                                     
                                                                        Edson Moura: 09/09/2010    

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