domingo, 15 de janeiro de 2012

                                      A Visitante e o Relicário (conto)
         Ainda não conseguiram alcançar, os axiomas mais agudos, um efeito atenuante para o maior de todas as dores: os prazeres do passado. E estes, se transformam em fantasmas corrosivos, a consumir lentamente o presente sem que sejam notados, a medida que nos transformamos cada vez mais em humanos.
        O candeeiro balançava no centro da sala, acabara de ser acesso pela Visitante. A sonolência da tarde impedia que os raios escoassem através das telhas rachadas e mal colocadas da Casa Grande. Escurecia vagarosamente. A noite acordava aos poucos. As sombras dos objetos se contorciam com o movimento pendular da pequena chama que ardia, o querosene produzia sinuosas ondas escuras que se espalhavam pela sala. Os mitos acordariam. Aqueles que se constroem quando aguardamos por vozes caladas no passado. Por que o que passou ainda nos persegue?... nos enclausura num presente vazio? Ela, quando destrancou a porta, abriu as janelas que gritavam pela ferrugem do tempo, sabia que as vozes viriam ao seu encontro; sabia que estas vozes truncariam seus pensamentos serenos e acordariam sua impaciência por um retorno que não existiria em qualquer futuro, disto ela sabia.                  
        A porta deveria estar aberta e a inquietude do vento produzia leves assobios. Este elemento, tão ausentes aos olhos dos vivos, deseja colocar-se como imperador das vozes que habitaram aquela residência, mas não naquela noite. O Sítio Pedra Preta estaria só se não fosse por sua presença. A mulher que guardava o Relicário do Usineiro, a Visitante, como os moradores dos sítios a chamavam. Chegou bem cedo para os fazeres da Casa Grande, as tarefas de limpeza seriam executadas primeiro. Nas horas matutinas retirou a poeira dos moveis e lavou algumas partes do piso, ações de instantes. Depois, rente a ver a peça acolhida pelo sítio, aquela que mais tocava. Tinha uma pressa hesitante, destas que qualquer um não tarda a perceber. Sempre olhando para as estantes da sala.     
     O Relicário do Usineiro estava exposto na estante maior, havia outra menor, uma para cada residente que ali não mais habitava. Suspendia com vigília objetos soltos, livres de qualquer atenção.  A poeira, contida neles, se misturavam com os minúsculos resíduos de cupins incrustados no verniz na sua superfície. O lugar estava imaculado, um ano para ser exato, não prestava a função de moradia. A Visitante, como o costume do ritual ordenava, iria tocar o Relicário. A peça seria afagada novamente. Seu passado santificado naquele objeto postado na última prateleira da estante maior, velha, resistente ao tempo: madeira de ipê, hábeis mão que a construíram, os antepassados que a Visitante nunca conheceu. Retirou, então, pela ordem natural que o desejo de mudança do passado impusera, uma pequena caixa de madeira de balsa, traçada com forma de baú antigo; um pouco suja, com uma minúscula fechadura, uma chave de adorno que não trancava o que existia lá dentro, jamais trancaria; detalhes em cobre esverdeados pelo tempo e pelos toques contínuos de quem ainda espera uma retomada de afeições de sua proprietária.
         Ritual de toques, vagarosos e hipnóticos. Esquecia o mundo lá fora, retida em imaginar se o silêncio daquela casa cessaria um dia. A caixa não produz mais o som das vozes. Acostumados, todos na casa, numa época não muito distante em que havia almas, aos balbucios de fúria do Usineiro, imperativo e antagônico ao mundo que evoluía. Ele foi dono do passado; de um futuro que planejava para cada um... Toques no relicário novamente, pronto, agora ele era dono do presente também.      
      Casa antiga, caibros antigos, lembranças. O Sítio ainda preservava as formas de outrora; ainda preservava o Jequitibá sonolento em tamanho, que crescia vagarosamente antes dela partir para outros intentos. A mobília empoeirada ainda estava no mesmo lugar onde a deixaram. Nada fora de ordem desde a última visita. O passar do tempo não moldou contornos novos ao lugar. O silêncio morto podia ser sentido. O Relicário do Usineiro descansava no colo dela, permutando diálogos desconformes e desfigurados através do sossego das mobílias, estas retinham a vida dos que ali moravam. Os quartos intocáveis. Ela ajustava, compulsivamente, detalhes desarrumados que não existiam: dobrava e redobrava os lençóis de camas em desuso, movia os objetos sobre a cômoda preocupada com visitas que nunca chegavam. Alguns ajustes na mesa da cozinha, aquela não estava fora do ângulo normal, mas por algum motivo aquele ajuste era necessário. Todos os anos, o mesmo ritual. O Relicário não seria aberto naquele instante. A noite deveria cair por completo e o relógio marcando 7:45.        
     A voz do Usineiro calou-se. Nunca o silencia a incomodou tanto, já deveria, afinal, ter costume. Há tempos não escutava mais os gritos, nem repugno ou injurias. As palavras dele espalhadas pelos corredores da Casa Grande, esgueirando-se entre as paredes, entre os moveis, por toda parte. Ainda existiam sons, as imagens retidas na memória. Relicário e lembranças, apenas o tocava. Ela rejeitava os objetos das recordações. Mas não podia fugir do seu desejo maior, o de rever as imagens, assim como fazia em todas as datas escolhidas para embriagar-se nas visões do passado. O relógio marcando 7:00, o momento de abrir o Relicário estava próximo, ela afunilando-se no ritual. Tocava a caixa, rosando os dedos entre as saliências do objeto. Lá dentro havia um passado que gritava, que a chamava para cultuar suas formas, ouvir as vozes que ainda ecoavam lá dentro.
      Antes mesmo de abri-la pode sentir, por um instante a presença do Usineiro. As linhas se mondando aos poucos. Robusto de corpo e voz. Impiedoso nas decisões: educação dos valores como principal argumento para viver bem com os outros – no limiar de uma determinada verdade os outros eram os regentes das disciplinas.
     No passado, antes de qualquer desavença com alguém na casa se iniciasse impelia-se o ordenamento sagrado: “Só deixarei esta casa quando eu for para o sossego, e só”, dizia ele sempre que uma discórdia terminava. A usina de reciclos deveria transcender as gerações, transferida de uma ordem para outra. Trabalhou para sustentar essa idéia. Compassadamente ia descobrindo que isso seria o motivo da discórdia maior. Passado e presente sempre úmidos com rancor. Desejo que o tempo volte. Não era dona dessa graça. Lamentos, arrependimentos, mais uma vez o desejo que o tempo volte. A existência uma condenação constante. O Relicário novamente, os elementos lá dentro. Uma época que satisfazia os caprichos da felicidade: despreocupação com o mundo a sua volta, renda que acolhia as necessidades do corpo, união em datas de união, risos, descontentamentos, vozes, palavras duras que mostravam uma determinada verdade, enfim, risos e gritos.
      O Relicário estava quieto, dormindo talvez... Hesitações antes de qualquer instante... A caixa é aberta. Ela descobrindo a sagrada função do objeto. O milagroso instante que voltaria o curso do tempo. Ali na sua frente o passado se formando como acontecia todas as vezes que abria. Podia ela assim que bem desejasse recordar os sons e as cenas. O Relicário era invento dos mais fantásticos que havia criado. Maquina de ilusões, de cenas imperfeitas. Ela não fora poupada desse natural infortúnio, imperfeição. A limitação, cruel e imaculada de só poder olhar o passado e não mudá-lo. O guardião do tempo alimentado por lembranças e saciando o desejo por instantes hologramáticos. Lá dentro continha relíquias de papel, aquelas com imagens amareladas pelo tempo, fotografias, momentos registrados, momentos sagrados que agora não poderia ser tocado por ninguém do presente. Ela olhando ingenuamente, reflexiva, ponderando as cenas construídas na sua frente.  
         Seu amigo mais próximo era o Usineiro, muito próximo, sempre lhe rendendo verdades. Uma verdade confusa e impiedosa que consumia qualquer ambição com o futuro que pudesse escolher. Ele imponderável, fiel a tradição de suas leis. Desaprovava aquelas atitudes de jovem “sem futuro”. Para quer colecionar ambições como aquelas, dizia ele em profunda desordem de sentimentos. As vozes: “Se tivesse nascido homem, não teria envolvimentos com o que os outros dizem. Sou eu quem paga todos os seus gastos. Que lhe sustentou até agora, ira cuidar da dos deveres lá na usina, o papel precisa ser reciclado. Deveria seguir o exemplo de seu irmão, que guardava seu dinheiro na formação, homem que aprendeu a dar valor aos princípios, comportado e obediente. Só porque é mulher se julga incapaz de exercer as funções”. O Relicário, maquina de transpor o presente e volta ao passado, produzindo luzis, sons e cores. No imaginário escutava os gritos de injurias. Imaginava os sons com nitidez do real, frenéticos e barulhentos, misturados com os pedidos de favores pela não agressão vocal do irmão. Se a mãe não tivesse partido tão sedo, se a presença de suas palavras estivesse junto a eles, talvez os ânimos transmutassem para um ameno de família. Saudoso passado com a mãe. Ela não era operaria. Mas o Produtor queria que fosse, a educação dura, desde pequena. Educação correta, como antigamente. O mundo lá fora estava estragado, distante dos valores que ele queria para a Usineira. Cuidados excessivos. Sem cogitações para ela, sem respostas. As vozes: “Era muito nova, juízo incompleto. Ia muito pela boca dos outros”. Ela não resistiu à clausura da proteção e rompeu comportamento amistoso. Fez-se necessário essa sentença. Não queria a usina de reciclagem, nem comandá-la. O mundo da Cidade Cinza tinha seu futuro, descontente com aquele presente, optou por procurá-lo. O irmão era homem e gostava de ficar na usina. Aprendia rápido os deveres e as tarefas, empolgando e disciplinado. Ela, ao contrario, sempre negou aquela herança. Sempre gerando decepções. Seus dedos transitando na superfície dos fotos. Mais sons, mais vozes, mais discórdias. O fim da amizade com o Usineiro.                                                             
       Havia esquecido que era inverno. Uma sossegada chuva que surgia aos pouco martelava o telhado da casa. Os caibros rangiam confusos. Vinha para aquele lugar só um vez por ano, perdia o costume de ouvir o escorrer das águas e o vento. Queria ela que não fosse assim, um tempo tão úmido. Era sensível a mudança do clima. Mas não uma sensibilidade física. O frio firmava o encontro com os ecos das palavras do irmão que já não era mais residente naquela casa ou naquela vida. Não iram se reunir novamente nem agora, nem no futuro. Mais uma vez, mágoas de desavenças.  A casa estava vazia de vozes, o silêncio que perturbava; vagando como um espectro que prosseguia com seus planos de assombramentos. Voltou mais uma vez a casa para encontrar os medos, o arrependimento, as imagens, o relicário sendo afagado mais uma vez. O preço que pagou para ir a Cidade Cinzenta. Continuará pagando até o fim do seu futuro. Cabeça baixa, calidoscópio de lembranças, rápidas, confusas.
         A noite assinalava 11:50, esqueceu que o tempo corre, esqueceu que estava faminta de sono. Era noite alta. A chuva estiava seus sons, acalmado-se lentamente. O ritual de toques no relicário chegava ao fim. Iria dormir e despertar no dia seguinte. Retornar aos deveres, retornar a Cidade Cinzenta. Lugar onde despertava para a vida que não queria mais. O tempo não retrocede. Viveria mais para ver novamente a usina e a casa grande. Viveria mais uma vez para isolar-se do mundo lá fora, retirando a poeira dos moveis, desforrando e forrando as camas com todos em todos os retornos o faz. Se perdendo pelos afagos no Relicário, desejando, como sempre desejou, que aquele silêncio se cale. O Usineiro se foi, para onde não soavam ecos. Deixou a usina para ser lembrada ou enferrujar com o esquecimento.   E ela desejando, tortuosamente, chamá-lo novamente de pai antes do sossego. Apaga a chama do candeeiro e vai dormir. O passado descansa novamente no Relicário do Usineiro. 
                                                                                              Edson Moura 
       

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

                             LIQUIDEZ DA ALMA    (CONTO)
           Foi sempre notório que Devânio procurasse, na profundidade de seus estudos, a liquidez da alma humana. Como seria esta substância que há milênios os homens introspectavam em vão, afim de poder toca-la. O plasma daquilo que não se pode ver nem tocar existiria realmente?  Impelia seus esforços por anos em uma incipiente e modesta biblioteca, seu minúsculo laboratório, naquela que seria sua maior busca. As respostas que procurava, sobre a liquidez da alma, talvez reposasse no calidoscópio do conhecimento das ciências humanas. Foram, dentro de exaustivos momentos, consumindo-se na elaboração de opúsculos: alguns pequenos e simples, outros, chamativos, extensos, tão retóricos e impregnados de adornos persuasivos que, estimularam o entendimento de sua existência. Existiria uma ciência capaz de encontrar uma resposta para sua busca de uma matéria que nascera de infindáveis especulações das morais, dos medos, do inconsciente advindo das mentes mais imaginativas. Sem dúvida, Devânio nunca relutou sobre a não existência desta liquidez. Para ele não exista as trivialidades dos dias, das noites, horas ou minutos. Aprofundou-se tão dolorosamente nos escopos de sua ideia que naquele século perdido em que se encontrava não haveria mais genitivos em crescimento para ver como seu mundo realmente era. A liquidez da alma seria extraída através das chamadas sublimações dos sentidos que os seres humanos não podem ver, aquela que estão estritamente escondidas no âmago de qualquer vida que habite o planeta. São todas estas capazes de exalar os vapores arkeönicos – em seus obscuros estudos sobre a liquidez da alma estes vapores arkeönicos teria uma cor violeta e odor que construiria no imaginário de quem o sentisse, um campo de jasmim, e, ao mesmo tempo o vislumbre confuso de corpos humanos, vivos, mas num estado de putrefação, com sua vísceras gritando no consciente, e não muito distante desta estranha e alquimélica sensação, corroboraria uma êxtase repentinos, semelhantes a uma rubrica ejaculativa. Seriam estes os primeiros sinais que o individua, dotado de sensibilidade para atear suas mãos na superfície liquifática da alma humana, sentiria logo de imediato. Nos estudos de Devânio, os vapores arkeönicos podem ser facilmente perceptíveis a todo instante. É esperado que uma grade fração dos seres dotados consciência, se esconderia atrás de um ceticismo natural para nortear com descrença as deduções feitas por Devânio. E estes se ateve, justamente, ao próprio ceticismo natural para poder fazer suas primeiras comprovações e demonstrações sobre a liquidez da alma. O IPP (Instituto de Probabilísticas Possíveis) já havia solicitado não só uma retratação de Devânio como também uma audiência perante a comunidade científica local, como intuito de cogitar a respeito de uma possível difamação de sua criativa e não muito agradável ideia de colocar os princípios científicos na balança pendendo para loucura. No mesmo dia que recebeu a intimação preparou sua defesa e possíveis explicações que conduziria a um convencimento e comprovação de suas teorias. Subiu a escadaria do ostentoso edifício do IPP. Entrou no salão dos Erutianos, onde o tribunal que iria realizar o jugo das ideias de Devânio já estava formado e pronto para dar inicio a audiência – uma comitiva composta de vários membros que representavam correntes de pensamentos daquele século perdido. De imediato iniciou sua retratação e explicações acerca do conhecimento que tinha adquirido:           
    O método é simples. Consiste em olharmos para as ranhuras do nosso cotidiano, ranhuras estas que estão por toda parte, escondidas na invisibilidade que nos foi dada por milênios. Um presente talvez. Um presente do incognitivo. De algo que deixou de ter nome, ou supostamente não lhe atribuído o devido nome. Algo misterioso que dentro de nossos estudos sobre os vapores arkeönicos devemos dar pouca importância, ou nenhuma. Visto que a invisibilidade é um aspecto de uma dedução não vejo necessidade de demonstrar-lhes qualquer substancia palpável. Este tipo de preconceituosidade será dignamente bem aceita dentro de minhas explicações. Se me permitem mostrar-lhe-eis agora este recipiente vazio, onde antes, guardava a liquidez da minha alma. Está vazio, pois ingeri o que estava em seu conteúdo antes de vim para este instituto. Não tenho o devido e recíproco interesse em lhes mostrar os resultados de minha descoberta, pois é justamente esta a proposição do método: a abstinência da visão, a involuntária vontade de ver a matéria, a consciência na existência das ranhuras do cotidiano e, por fim, mas não um fim absoluto, estudar como menos ceticismo os vapores arkeönicos. Não se frustrem pelo meu gesto de ingerir minha própria alma. Deduzo e afirmo, sem o menor pudor, que vocês, mesmo acreditando conjunturalmente no desconexo sentido da minha descoberta, se deram necessidade espontânea de me obrigarem a uma retratação deste grandeza, pois digo: que pesadelo maior poderia ser criado para o cético ao ver em seu olhos e no âmago de seu cerne seus valores divididos por algo que lhe pareça absurdo. Não me comprazo em desvendar o pouco valor que é dado, neste momento, aos seus valores, pois também sou um praticante vorás das ciências. E em recompensa a sutil atenção que me deram, ensinarei a vocês os três caminhos para encontrar a liquidez da alma: primeiro, deverão encontrar as ranhuras do cotidianos – estas, só para lembrar são invisíveis, encontradas na simplicidade do altruísmo espontânea -; segundo, contidos nestas ranhuras estão os vapores akeönicos – não será difícil reconhecer, pois tem o aspecto de uma pequena nebulosa violeta; terceiro, ao capturar este vapores deverão investir num processo de condensação, para em seguida captar a liquidez da alma. Se forem apreendidos por estes três estágios, terão a sensação de estarem caminhando num campo extenso, impregnado com odor de jasmim, misturado com uma vertigem estranha, que se assemelha com impressão que teriam se estivessem vendo suas próprias vísceras. Prezados membros do IPP, creio que minha vontade de estender minhas explicações tenha chegado ao fim, não direi mais nada, exceto que permitam que eu termine minha experiência com a referida liquidez da alma.”
          Após o termino da audiência com os representantes IPP, foi decidido que haveria um recesso de duas horas para o jugo das ideias de Devânio, duas horas que foram abreviadas em dez minutos, pois as premissas que conduziam aos estudos sobre a liquidez da alma colocavam em risco imediato as leis e diretrizes valorativas do cepticismo. E como veredicto, advindo dos quatro representantes do IPP, Devânio foi condenado, de imediato, a ingerir 200mg de aminako, uma substância de induzia as células do cérebro ao canibalismo, consumindo-se umas as outras. Com isso o individuo perderia as sentidos através de dores insuportáveis, seguido de uma angustia insólita e, por fim, a loucura total. Devânio foi jogado no Subterrâneo dos Esquecidos, que se localizava no subsolo do IPP, juntamente com outras cinco almas condenadas. Antes de perder o foco de sua consciência, pode ver três dos que estavam presos junto com ele, os outros dois estavam caídos ao chão, sem movimento. Os que estavam no alcance de seus olhos estavam com os olhos e genitálias sangrando. Não gritavam, não sentiam dor, talvez as 200mg de aminako já consumira seus sentidos. Seus corpos pendurados em ganchos, a um metro do piso, gotejavam suor e sangue. Devânio os vapores arkeönicos, a insolodez violeta, saírem de seus corpos. Sua última visão antes de sua pálpebras se fecharem e ele cair no vazio catatônico. O IPP confiscou e cremou os manuscritos sobre os estudos da liquidez da alma. Aquele século não seria mais atormentado pela sinuosidade da dúvida sobre uma descrita matéria recém descoberta. Devânio seria esquecido.    

                                                                                                       Edson Moura