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     Folheando uma antiga revista sobre literatura me deparo com uma frase de José Mindlin, este considerado o maior colecionador de livros do Brasil, que dizia na soberba citação “Quem amar ler jamais sofrerá de solidão”. Deve sempre me lembras, que a outros não caiba qualquer que sejam nossas próprias conclusões, pois é anos mesmos que estas pertencem, organicamente ou semanticamente, minha solidão se aprofundou quando aos livros me aproximei. Quando criança gostava de ir a biblioteca do Colégio Seu Amado, nos intervalos das aulas, quando pouco interesse tinha em qualquer atividade dos colegas de classe ou de outra turmas, fui atraído para esse ecossistema, estantes repletas de livros, devidamente catalogados, categorias pedagógicas em tal prateleira, os lúdicos acolá, na estante ao fundo, o paradidáticos, ser por que motivos lhe nomearam dessa maneira, pois se são paradidáticos não deverias numa escola estes estarem, posicionados próximas birô da bibliotecária, os científicos, os que mais gostava de folhear espremidos nas extensa mesa para leitura, caixas abarrotadas com todo tipo de revistas, Veja, Isto é, Superinteressante, Astronomia, revistas sobre ufologia, Ciência Hoje, e é claro, centenas de HQ’s, de todos os tipos. Fato seja confessado, preferia o silêncio cósmico da biblioteca tanto quanto gosta de jogar river raid no atari, desconheço os gatilhos de estado meditativo em alpha que me proporcionasse tamanha calmaria. A biblioteca, assim como as reuniões de pais e mestres, era pouco frequentada, exceto pelos alunos e professores que ali resolviam passar os intervalos. Inumerável as vezes as vezes que bibliotecária me encarava nos olhos aos me ver abrindo a porta para entrar e se despedia. Passava pelo meu imaginário se, em vastas possibilidades em que somos tomados pela expressão e se as coisas se construíssem dessa ou aquela madeira, os horários dos intervalos para recreação fossem tão silenciosos quanto os espaços pouco frequentados da Biblioteca do Seu Amado. Lembro de exceções à regra, o período de recuperação das notas escolares, quando as aulas de recuperarão em frequentadas pelos poucos alunos perambulavam pelo pátio do colégio, duas ou três dúzia, afastados uns dos outros, pois estava desgarrados de suas habituais turmas, cada qual mergulhado em particular angustia de estarem entre os que serão reprovados, devido a insuficiências das notas em algumas disciplinas, encalhados no limiar entre o abismo da reprovação o esperançoso, cálido e, em muitos casos, milagrosa aprovação. Devido a minhas majestosas habilidades de não fazer parte de turmas, eram os poucos momentos que eu tinha durante os anos escolares de caminhar pelas dependências do Colégio Seu Amado, os intervalos da recuperação. Experimentei esse tipo de terror muitas vezes, era bom em algumas deslimas e medíocre em outras. O amalgamado som das outras criançadas brindo lá fora me causava desconforto quase somático, parecia estilhaça meus tímpanos, dores de cabeça brotavam e uma exaustão me assaltava as forças. E para não permitir que a borda da intenção inicial do que se iniciou a ser dito e analisado, evitando desmembramento que qual seja o sentindo a ser entendido, retornando ao aforisma criado por José Mindlin, que nesse período da existência se encontra submergido em sete ou oito palmos de terra, que para lá, acredito, que foram ou irão todos os grandes colecionadores de livros, toda soberba tem um desfecho. “Quem amar ler jamais sofrerá de solidão”, do respeitado José Mindlin, talvez não acomode sentido naqueles que descobriram no contato com os livros a mais profunda solidado. É sempre preferível o contado humano aos livros para muitos, quanto a outros, os exilados restam os livros para não enlouquecerem por completo.  

 

                                                                    Edson Moura em 23 de março de 2014        

 

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