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∞ Quando perdeu a coordenação dos dedos, estava a ajustar as últimas placas de chumbo e manganês nos recipientes de fibra plastificada, trabalho que repetira tantas vezes ao longo dos anos que já não distinguia onde terminava o hábito e começava a vontade, e talvez por isso o incidente lhe tivesse parecido, num primeiro instante, menos um aviso do corpo do que uma distração qualquer, dessas que acontecem quando a atenção se afasta por um segundo e regressa logo a seguir. Porém a sensação não desapareceu. Uma dor aguda atravessou-lhe a cabeça, não propriamente uma dor, antes um repuxão obscuro que pareceu apertar-lhe os olhos por dentro. Fechou as pálpebras com força, apoiou ambas as mãos na bancada e aguardou. Viu riscos luminosos atravessarem-lhe a escuridão da vista, linhas vacilantes que se multiplicavam umas dentro das outras até transformarem o campo visual numa superfície branca e indistinta. Esperou. Os reci...
