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Sucede, porém, que o tiro de espingarda não é um fenómeno natural como a queda da noite ou a podridão dos frutos. O tiro de espingarda pressupõe um atirador, e o atirador pressupõe um motivo. Escrutinados os motivos do atirador, descobre-se uma infeliz teia de razões que, todas elas, em maior ou menor grau, remetem para a cor da pele. Eis aí o paradoxo que o texto vinha adiando com elegância: a cor da pele não tem importância nenhuma, salvo quando tem. E tem-na sempre que um homem se arroga no direito de fabricar outro homem por um processo menos melindroso do que o descrito, o processo da recusa, da segregação, da bala. Assim, regressa-se à linha de montagem. Verifica-se, com amargura, que os protótipos infusionados de qualidades superiores raramente ascendem aos andares cimeiros do edifício social, a menos que a sua pele possua o tom convencionado pelos que lá moram. Os canais do hábito, do costume e do preconceit...



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