A Insustentável Leveza do Ter: Uma Crônica da Fome
Por: Fome Não se enganem, ou melhor, não permitam que o engano lhes sirva de consolo, pois eu não habito apenas o vácuo gástrico, essa câmara escura e ácida do menino que vende água mineral no semáforo da PE-160, sob um sol que não apenas ilumina, mas calcina o asfalto e a pele com a impiedade de um deus antigo e furioso. Vocês, na vossa pressa de classificar o mundo para que ele caiba nas gavetas estreitas do entendimento, costumam me desenhar esquelética, suja, uma figura de contornos trágicos com a mão estendida e os olhos encovados, uma imagem fácil de digerir, ...