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ᴂ Viva, paciente, à espera do seu momento. Dobram-se as contas, sim, dobram-se as pessoas, dobram-se as vidas ao meio, em quatro, em oito, em potências sucessivas de uma humilhação discreta, até caberem no espaço ínfimo que lhes foi concedido, e depois, um dia, já não se sabe desdobrar, já se perdeu o vinco original, a marca de fábrica, a primeira culpa, aquela que nos foi impressa na pele sem consulta nem anestesia. Resta-nos o gesto mecânico de dobrar e redobrar, como quem dobra um lençol gasto, como quem dobra uma carta que já não relê, como quem dobra o corpo para entrar num automóvel baixo demais para a sua própria dignidade. A noite recebeu-me com uma indiferença quase terna, dessas que por instantes se confundem com uma forma elementar de respeito. Caminhei sem destino, ou antes, com o destino único de quem não quer chegar à parte alguma, de quem se demora na travessia como se a travessia fosse a única pátria que lhe resta. Os candeeiros públicos pingavam uma luz alaranjad...
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