O cárcere (romace)
I A clínica ficava no segundo andar dum edifício de esquina, parte de uma partilha entre herdeiros que na disputada com seus irmãos era essa, no conjunto do inventário, o imóvel menos atraente para venda ou locação, defronte à praça matriz. Da janela, Eloisa observava os velhos sentados nos bancos, pássaros disputando migalhas, as trajetórias equacionadas dos transeuntes que movia num valsar desconjuntado palas calçadas, cada direcionado por alguma obrigação cotidiana que lhes foram atribuídas. Eloisa gostava de vagar os olhos nas cenas que se formavam seguindo o rumo das casualidades, pensava, alguns nessa multidão esteja experimentando um péssimo momento, outros desfrutam de uma satisfação passageira, haviam aquele cujo dia será previsível e entediante, outras se percebia asperezas das fatalidades, alguém foi gentilmente ajudado, outros assaltados, existiam os constantes acidentes de trânsito de imediata solução ou os trágicos contornos de corpos...


