terça-feira, 22 de julho de 2014

Apneia

  


       
Sonambulo, © Edson Moura 
Falta de ar. Afogando-me num mar inatacável. Acordei cedo, e o súbito chocou-me com minha apneia. Muitas pessoas sentem isso, eu poderia prever que essa paráfrase serias dita por ¾ da população do globo terrestre, visto que extraterrenos e intraterrenos nos permitem uma falta de exatidão. Explorar toda a extensão do meu aparelho respiratório, inflando, desinflando, lembrando de olhar para o relógio da parede, observando o compasso do ponteiro dos segundos, reafirmar que não era nada, e reafirmando mais paráfrases do livro de paráfrases de auxílios, que havia comprando a preço baixo no mercado, quando esta perdido em dúvidas quanto a: se levo uma caixa de biscoitos de avelã a aquele livro em discreta promoção.
     
     O livro de paráfrases de auxílio ganhou tempo para minha atenção. Dinheiro bem gasto para que acorda com crises de apneia. Não encontrava aquelas linhas de pensamento nos assim chamados clássicos da literatura. Tenho distúrbios respiratórios e não necessidade de discorrer sobre meus tilomas inconscientes. Pulei os capítulos que falavam sobre as elucidações do futuro; não, não, não é este, não é este outro, vou marcar este capitulo aqui que o autor fala a respeito da meditação do vazio. Sim este parece ser o que procuro, talvez não haja dificuldades em procurar um substantivo que não exista.
      
     Não percebi, mas minha primeira leitura devorou o livro de paráfrases de auxílio em poucas horas. Não existiam interrogativas diretas ou indiretas. Tudo em instantes: auto inteligível, auto respondível, automático. Contar as marcações do ponteiro dos segundos aliviavam os sintomas ocos da crise de apneia, 1...,2...,3...,4...,5...,6... e, repentinamente, uma respiração completa, inflando os pulmões até completar toda sua proporção, até sentir o estalar do diagrama, e depois, lentamente, começo a sentir o refluxo sanguíneo causando sono de alívio. Não era o odor de jasmim das metáforas que sentia, mas o assim descrito ‘substantivo vazio’, não era suas cores ou adjetivos - brancas ou más, e sim, meu sangue e oxigênio sendo devolvido a minha carne. Não era o espirito de Falto quem me visitava naquela manhã de apneia, mas o livro  de paráfrases de auxílio. 





                                                     Por Edson Moura, em 22/07/2014

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