domingo, 7 de julho de 2013

Corrosão

-- Acordei sob o olhar atento e fruído do demônio,  costumeiramente. Este olhar que todos chamam de fruto doce da ociosidade, de preguiça, de tranquilidade demoníaca. Senti esse medo: o de não se colocar sob os olhos do demônio  Este que não conheço, mas que me deixa inquieto, que contemplo sem agir, sem o action moderno. Sim. Me sito preguiçoso quando essa personagem de meu imaginário vem a compartilhar sua presença. Essa áurea que embriaga. Sinto seus efeitos peremptórios, que me fazem desistir de minha escravidão elucidada por uma ilusão de labutar a cada segundo. Minha contemplação dormia, dormia num sono sem sentido. Labore o silêncio e irão condenar-lhe as parábolas da improdutividade das palavras, labore a falácia e irá esquecer o que existe para ser colhido. O demônio que surgia e me olhava atento, me avisava sobre existência, me avisava sobre o que seria exigido. O demônio que surgia me alertava os perigos de estar escravo sob esses olhos da inreflecção; que penso pouco e trabalho muito. O demônio que surgia me alertava que estava a deixar de existir. Mas irão afirmar: é só um demônio preguiçoso, que ele está corroendo sua maneira ativa de ser. Irão me alerta: escravidão é uma não verdade que nunca deixará de ser escravidão.   


                                                                        Edson Moura em 11/03/2006                                       

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