domingo, 30 de junho de 2013

Corrosão de Édipo

     A busca pela não-verdade nos dá o privilégio de ser o próprio oráculo, a olhar lá embaixo os olhos melancólico dos Édipos, que este hoje já não é mais um nome, uma substância, um verbete abarcado. Sim esse Édipo é hoje este adjetivo irregular que todos invocam quando querem encontrar alguma verdade. Esquecendo que a verdade é um sonambulo morto em seu próprio sono. Quem dirá que o maior erro dos Édipos é essa busca pelo veredicto da verdade? Quem dirá? É essa verdade que lhe causa tanta inquietação. Enquanto os dados do destino contam seus números trágicos para os tolos, os poderes se adiantam com os números, para este a verdade intercala, entre põem uma linha que não para de transitar. Uma verdade confronta, uma mentira conforta. É essa mentira que preserva essa vicissitude, mentira mais confortante do que dizer que disse a verdade? Não. Não conheço. Quanto mais mentimos, mais escrevemos. Os caracteres da verdade se afunila, escorre, se esconde, se resguarda. Quem dita suas verdades se apropria da liberdade. Não. Não foi esta máxima dita a alguns caracteres atrás quem iniciou um a dialeto moralista. Agradeça aos deuses, vivos e mortos, pelas grandes verdades que nos libertou neste cárcere sujo de verdadeiras mentiras. Essa verdade que atrai os pensamentos ao invés de afastá-los. Afinal, o que desejava realmente o Édipo senão ser consumido por esta verdade tão corrosiva. Concordemos então: a não-verdade corrói menos nossa alma. Olhai esse Édipo tão corroído para verdade.


Edson Moura, em 08/05/2012                                                             

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