domingo, 21 de outubro de 2012

Sem título para nomear



   É andando, a deriva, nestas estranhas ilhas que vão surgindo ao longo de nossa vã existência, neste momento único, solene e solitário, que nos perguntamos se existe algo além dos objetivos prosaicos a que estamos fadados a ver e viver.      


    Minha relação com São Paulo sempre foi carregada de conflitos de identidades, é fato confirmado que toda relação o é, mas não muito distante das inquietações com esta metrópole, reside também as minhas intranquilidades com as desérticas paisagens do sertão e agreste brasileiro. Por nascimento; volume de parentesco; acepção cultural, social ou relação com as atmosferas urbanas deveria pertencer a São Paulo, mais especificamente ao pequeno, mas não tão pequeno universo de operários que se estalaram nas entranhas do Brás, São Caetano, São Bernardo e Santo André e demais distritos industriais que, evidentemente, não deixaram de existir. O retirante se transformou em metáfora nas mãos dos artistas, seja nas escrituras dos textos literários, ou nas transmutações das artes visuais. Mas que até então um aglomerado de histórias com as imagens de seres em uma estrada, sozinhos ou com seus entes. Historias com começo e meio – onde estarão os finais destas histórias? Um reprincípio – recomeço - de uma vida... “o passado se foi” é aquilo que se quer acreditar, uma história morta nos corações silenciosos de quem se retiraram para dar iniciarem uma nova vida: vende doces; vender cigarros; vender chinelos, como meu tio Severino, ou estar nas portas das industrias, numa fila cujo nuanças são de propor desistência, para preencher as lacunas de uma fixa de proposta de trabalho. Que a fluidez dos acasos deste estranho rio que corre sem que ninguém perceba, sem que, até mesmo os próprios reprincipiantes o perceba, apenas dirão um dia: ”foi difícil, e não sei como chegamos até aqui, com esta casa e estes meu filhos, que estão todos com diplomas, empregos, casas ou apartamentos próprios, a podem ir aonde quiserem,” sem se preocuparem com as desconfortantes conivências do ‘porvir’. Quem sabe corre aquele pensamento que afere escondido entre os outros pensamentos, “foi tudo um sonho ruim”. Não deixei de observar a quão estavam felizes meus tios e primos. E quão bonita era vida que viviam. Permitir que este rio corresse, tranquilamente, como tem de ser não fluidez das leis que regem o universo dos acasos. Lembro, em outrora, alguns citarem que uma ilha é uma pequena porção de terra cercada por uma imensidão de água, com a finitude escondida aonde a vista se dar por vencida, se nos sentimos como prisioneiros desta ilha, estão é chegado o momento de construir uma jangada e partimos os lugares onde a vista não alcançou, mas que acreditamos que existam. Me sinto numa ilha inominável estando no Norte, me sinto numa ilha inominável quando estou Sul, ou a Lesto, ou Oeste. Talvez, quem sabe, fosse a falta de títulos para uma história que gerou a vontade de iniciar uma nova história. E hoje vejo todos estes, senhores de sua próprios contos, senhores de seus próprios títulos, vivendo uma rotinas de tranquilidade e sem se preocuparem como será o final da história.

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