sábado, 22 de setembro de 2012

Reprincípio


                                                                Aos artistas do Bairro do Brás    

Assim como nas histórias, tudo tem um princípio, sejam aqueles princípios caóticos, que quase tudo se mesclam como num tufão repentino, que açoita as pacíficas e inocentes águas oceânicas, também, devanearíamos um reprincipio. Ate então desconhecia os significados desta palavra tão escondida, e lembrando no mais que perfeito distúrbio dos significados das expressões corriqueiras; o reprincipio é o retorna para o substrato da memoria com fragrante da realidade. Havia esquecido, sem sombras pudicas, que existia um Bairro do Brás em minhas lembranças. O tempo é sempre o pior inimigo da memória, adjunto, sem sombra pudica, aos eventos e fenómenos que afetam o presente. É conhecido por todos que Bairro do Brás carrega em seu cerne uma identidade italianos muito forte, imigrantes italianos que da Itália vinheiram, e aqui aportaram. Seu principal atributo: o trabalho. Suas mãos e pés, seu devaneios pela conquista de um fragmento do solo brasileiro, advem o sentido da própria vida, o mesmo solo que iram semear suas vidas será o mesmo no qual serão enterrados. E sua fé católica não muito distante dos seus anfitriões, e mais próxima ainda de sutil leva de trabalhadores vindas de longe. O peso do significado “imigrante” quantifica na mesma proporção do “retirante”. Tudo tem um principio, mas o reprincipio sempre esteva no radical das somatórias de qualquer um que procure sua fuga, quer estes fugam de uma realidade distante de qualquer utopia vivente. Reprincípio, reprincipiar, reprincipiador, o reprincipiante, acredito que alguém já tenha utilizador estas palavras em algum momento da vida, mesmo sendo estes momentos, aqueles uma das mais retroativas, o esquecimento, responsável por suas irrelevância. Reprincipiar é um dos verbos mais desconcertantes que possa existir. Digo isso porque as ações que o acompanha sempre foi o passo mais pesado que se poça dar. Em proporções de tempo, nos intervalos das décadas que já rotulasse pelas divisões dos dois últimos números que compõem os séculos, uma alfaiataria redita por (...) 30’s, 40’s, 50’s, 60’s, 70’s, 80’s, 90’s, 00’s... ate o reprincipio do ano 10.000, que ao nosso ver não será visto, ou, por conveniência da natureza humana, é vista em distopias, ficcionadas em lampejos de loucura dos ficcionistas. Os retirantes, estes repricinpiantes de suas próprias utopias, aquela esmaltadas de desejos latentes da preferência do viver e não do sobreviver – não muito distante este sonho que os italianos do Brás cultivaram, reprincipiar é verbo que substantiva o reprincipio segundo verbete antes do “humano”, estando ai um a vertiginoso ter de redescobertas. Para meu não tão reminiscente efeito de espanto vi os repricipiantes que cogitei existirem. Estavam por todos os lados; em todos os lugares. Quando nos deparamos com a inalcançabilidade de um objetivo, inconscientemente, encontramos outro. E ali estava, todos, em suas cores e formas, ou melhor direcionando o sentido, em suas expressões e comportamentos. Conscientemente, era eu um destes reprincipiastes. Não havia como negar, não havia como fechar meus olhos para aqueles que estavam nas calçadas do Largo da Concordia, a transitarem seus pequenos espetáculos com malabares, desafiadores truques de magia que, digamos de passagem, ainda me fazem cócegas na alma, e por que não fariam. Um trapézio poderia sim não existir, mas existia, e espero que continue a existir, se bem que tão intrigante quanto um troque de magica e a existência de um trapézio numa praça onde a presença de barracas e estabelecimentos camelôs, mas enfim, a natureza, esta que fingimos não, sempre encontra uma maneira de nos surpreender. E o reprincipiantes se encontram mais próximos destes atributos naturais quando uma espécie de peixes ou de pássaras que não tendo mais condições de sobreviver em seu habitar naturalmente especifico, especifica uma nova trajetória para continuar a sobreviver. É certo que o grão de poeira que estamos a representar não nos coloca nem atrás e menos adiante de muitas espécies de planeta. Cada espécie a possuir seus repricipiantes, não somente um cardume peixes, não somente um bando de pássaros, ou um a alcateia de lobos. Sobreviver é reprincipiar dentro das regras deste ludo tão arquimédico e, ao mesmo tempo tão abstrato dos sistemas dos diversos reinos que nos cerca. O artista nordestino encontrou um lugar, sem as sombras das dúvidas, para expressar e sobreviver. No Brás, entre comerciantes, operários, os sotaques se misturavam, os sotaques se qualificavam, se mostravam, viviam, ate o termino dos expedientes, quando não restava mais o público para expectarem suas artes. Foi ali, no meio de minha duras dúvidas, em meio a objetivos desfeitos que os descobri, ou melhor, redescobri, não mais, não menos, um pequeno universo de histórias, e estas foram a matéria prima para redigir uma serie de textos. As histórias dos reprincipiantes.                      

                                                       Edson Moura, em 10/08/2012  

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