quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Prólogo



Himenópteros Vespídeos - Existiam dias em que o calor do sol era tão intenso e continuo que não permitia sair de minha casa para a colheita dos excrementos. Teria de considerar outros recursos para a construção dos novos casulos que ainda estavam incompletos. Foi então que percebi que havia outros lugares onde poderia captar não só a matéria que acomodaria as novas larvas como também alimento para concluiria a fibrilação de seus corpos quase formados. Abandonei, se assim posso dizer, minha casa. Deixando meus descendentes a própria sorte. Mas os seres que descobri, quando estava descobrindo o mundo que perpassava sob minhas asas, não eram muito diferentes. Imagino que estes existam a mais tempo neste planeta, pois são livres de padrão comportamentais que tanta acidez aflige a minha espécie. São dependentes tanto de seus instintos quanto de suas emoções. Mas o que mais me surpreendeu foi a forte relação dessa espécie com os aqueles de sua própria espécie. Um estranho se aproxima. O vento forte arranhava a estrada de terra batida, levantava uma forte poeira incumbida de confundir suas formas. No horizonte ele via o céu azul embaraçado com uma negritude chuvosa. Movia-se vagarosamente na direção dum casebre construído num ponto mais visível, numa planície tão árida que se assemelhava a um planeta a ser descoberto. Estava vestido couro da cabeça aos pés; gibão, como chamam, e talvez não o chamem mais, montava um cavalo, esbelto e bem tratado. O homem não açoitava o animal, e nem o esporava-lhe as coxas, apenas ouviam-se seus berros, preferia ofender aquele animal com palavra que surtia efeito de nenhum tipo, menos ainda, qualquer tipo de infelicidade advinda de um encadeamento de frequências sonoras sem nexo, não muito distante de nós ao ouvirmos um idioma que não dominamos. O animal obedecia, não o significado das palavras, mas pela praxes dos berros, eficientes, independente a que espécie os receba. O ditador sempre berra para aquele que querem dissuadir de qualquer adestramento ou rebeldia. E seu adestrador que demonstrava uma exuberância gentil com a espécie dos equinos. A poeira assentava, e suas formas tornavam-se mais definidas – não que as formas sejam do interesse que alguém nesta narrativa, mas é sempre de bom agrado a nitidez das formas.   Tinha expressão de cansaço, o que, para alguém que residia naquele fim de estrada, era mais que dedutível. Acredito que tenho sorte, se é que a sorte tenha sentida na existência do prologo de qualquer ser vivo deste estranho planeta em que animais de qualquer espécie que tenta sobreviver, acredito que ter uma casa feita de excrementos de animais não me deixe menos distantes do que os outros!

Um comentário:

  1. Interessante, esta visão quase misteriosa, expressada no seu conto! Gostei imenso.

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