domingo, 29 de julho de 2012

Ao acaso literário (I parte)



Certo dia, indeterminado, que me desculpe mais uma vez Cronos, pela negligencia aos registros de tempo, em uma conversa informal com um professor Dr. Fulano dos estudos linguísticos-literários, perguntei sobre a falta de incentivo aos alunos que tinham suas obras literárias guardadas no fundo de alguma gaveta, como assim podemos expressar. Respondeu secamente, como era de se esperar: “este é um curso de licenciatura e não um curso para formação de escritores”, se, mais uma vez não me falhe minha dislexia, todo o corpo docente de qualquer instituição de ensino tem suas bases de estudos, respectivas carreiras e bons salários respaldados nas iniciativas que alguém que decidiu que era chagado o momento de expressar sua cosmovisão e descobertas sobre nos mesmos e sobro o mundo que nos cercam. Como relatório de minha pesquisa de campo, venho aqui contar mais uma descoberta: ‘Como de costume fui ao encontro de mais um escritor ainda não descoberto. Chamava-se Antonio Ferreira da Silva Maia, ou, como gostava de ser chamado: "Seu Ferreira". Morava em uma casa pequena embrenhada entre serras e vegetação do agreste, isolado, como preferia. Seu Ferreira era poeta e prosador por vocação, agricultor por profissão. Alfabetizado por sua própria vontade, talvez a mesma vontade que lhe instigou a querer expressar seus pensamentos. Sentados no batente de sua modesta casa, conversamos por horas sobre poesia popular, tomando um café com bolachas de leite, gentilmente compradas para aquela ocasião. Confesso: a simplicidade de Seu Ferreira me mostrou uma das substancias mais importantes para a construção dos vínculos artísticos, a amizade de dois escritores querendo mostrar seus trabalhos. Não trocaria 10 minutos de conversa com Seu Ferreira por 10 anos de estudos teóricos sobre arte em universidades brasileiras.’ Seu Ferreira é mais um entre pouco, que alicerçam os onerosos e suntuosos trabalhos acadêmicos. E gentilmente o faz por gentileza.  

                                                           Edson Moura, em 18/07/2012.   

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